escoliose idiopática do adolescente

Escoliose idiopática do adolescente: sintomas, causas e tratamentos

Quadris ou ombros que parecem assimétricos, coluna vertebral encurvada anormalmente para o lado e dor na coluna após longo tempo sentado ou em pé. Esses são os sintomas mais comuns da escoliose, um dos principais desvios da coluna vertebral. Estudos estimam que a doença está presente em até 3% da população.

A escoliose é caracterizada por um desvio anormal da coluna vertebral, que não causa dor ou incapacidade, mas também não melhora com o tempo. Por isso, a intervenção precoce pode minimizar a curvatura e impedir a sua progressão.

Existem várias causas diferentes para o aparecimento da escoliose. A doença pode ser congênita, quando a pessoa nasce com a má formação; sindrômica, em que é associada a outras doenças, neuromusculares, que provém de doenças neurológicas ou musculares, e idiopática, com causa desconhecida. Em até 85% dos casos, a doença é idiopática, ou seja, não se pode encontrar a causa.

Dentre as doenças idiopáticas, existem três tipos: a escoliose idiopática infantil, que afeta crianças de até três anos; a escoliose idiopática juvenil dos quatro aos nove e a escoliose idiopática do adolescente, dos dez aos 14 anos.

Escoliose idiopática do adolescente

Entre as doenças idiopáticas, a mais comum é a escoliose do adolescente, que corresponde a aproximadamente a 80% dos casos. Nessa fase, o risco de progressão da curva é maior, porque a taxa de crescimento do corpo é mais rápida e muitas vezes não tem nenhum sintoma visível, até que tenha progredido significativamente.

Seu aparecimento é mais comum em meninas do que em meninos e, geralmente, elas são oito vezes mais propensas a precisar de tratamento.

A escoliose idiopática do adolescente na maioria dos casos não causa dor, mas com o envelhecimento, ou seja, na vida adulta, pode provocar doença degenerativa da coluna, alterações na orientação mecânica do eixo da coluna e causar dor crônica.

Apesar das curvas associadas com escoliose idiopática poderem aparecer em qualquer lugar da coluna, em geral, pacientes com este problema tendem a ter uma curva torácica à direita quando for uma curva única, ou uma curva torácica direita com uma curva lombar para a esquerda fazendo um formato em “S” da coluna. Estes são os tipos mais comuns de apresentação das curvas na escoliose idiopática do adolescente.

Diagnóstico da escoliose idiopática do adolescente

O diagnóstico desses pacientes é geralmente feito em triagens escolares, achados radiológicos, ou quando há descontentamento físico notado pelo próprio paciente, amigos ou família. Uma das possíveis maneiras de se detectar a presença destas curvas é observar a assimetria do corpo das crianças, principalmente durante o seu desenvolvimento.

Os exames complementares incluem a Radiografia panorâmica AP, perfil e com inclinações, a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética.

Apesar de não causar dor, a escoliose idiopática do adolescente pode afetar seu relacionamento com outros adolescentes. A deformidade causa, em pacientes que apresentam escoliose de alto grau, baixa autoestima, devido a condição estética e muitas vezes atrapalha o relacionamento social.

Como afeta mais as meninas dificulta o uso de roupas de banho, vestidos, roupas justas e etc. Tudo o que expõe a coluna e mostra a deformidade não é bem aceito pelas adolescentes.

Tratamento da escoliose idiopática do adolescente

Existem vários tipos e métodos de tratamento para a escoliose idiopática. Ao planejar o tratamento, o médico levará em conta a gravidade da curva e sua localização. A idade também é um fator importante, uma vez que a presença de potencial de crescimento modifica as opções de tratamento e pode, até mesmo, retardar um processo cirúrgico.

Nesses casos, o médico identificará a probabilidade de a curva piorar e então oferecerá as opções de tratamento que melhor se adaptam as necessidades do adolescente.

Os tratamentos são separados com base na curvatura da coluna. Pessoas que possuem curvaturas inferiores a 25 graus são usualmente acompanhados em consultas trimestrais, monitorados e tratados com fisioterapia, pilates e RPG.

Já os pacientes com potencial de crescimento e curvaturas entre 25 e 50 graus são tratados com coletes específicos, no intuito de direcionar o crescimento da coluna em um ângulo adequado, minimizando a possibilidade de cirurgia futura. Os coletes mais utilizados são o Colete de Boston e o Colete de Milwalkee, que são utilizados por 23 horas por dia, retirando-os apenas para higiene pessoal.

Em geral, curvas medindo 25 a 50 graus são consideradas graves suficiente para necessitar tratamento. Curvas acima de 50 graus necessitarão cirurgia para restaurar o alinhamento normal da coluna.

A principal cirurgia para escoliose é a artrodese da coluna. Isto é, em essência, um processo de “colagem”, para realinhar e fundir todas as vértebras que fazem parte da escoliose de modo que ela se torne um bloco de osso único e sólido.

A artrodese da coluna evita que a curva continue progredindo e ameniza a dor do paciente. Atualmente, os médicos conseguem correções significativas, melhorando muito a estética do paciente e, consequentemente, sua autoestima.

O grau de correção de uma cirurgia dependerá da flexibilidade da escoliose antes da cirurgia. Em geral, quanto mais flexível for a curva do adolescente, maior será a correção obtida na cirurgia.

O médico pode calcular a flexibilidade antes da cirurgia com exames especiais, as chamadas radiografias com inclinação ou sob tração.

Os primeiros dias após a cirurgia são bastante desconfortáveis, mas a maioria dos pacientes melhora rapidamente pelo terceiro ou quarto dia, conseguindo caminhar e levantar-se da cama, e permitindo ganhar alta hospitalar.

A dor continua melhorando gradativamente e a maioria dos adolescentes já conseguem voltar para as aulas após duas a três semanas depois da cirurgia. Em relação às atividades esportivas, a maioria dos pacientes retornam às atividades sem contato físico cerca de 4 a 6 meses após a cirurgia. As atividades mais impactantes são evitadas no primeiro ano.

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Dr. Carlos Augusto Costa Marques

Posted by Dr. Carlos Augusto Costa Marques